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segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Patrimônio imaterial preservado: Prefeitura entrega novo Galpão das Paneleiras

Marcos Salles
Prefeito João Coser inaugura o galpão das paneleiras
A comunidade de Goiabeiras e suas artesãs receberam da Prefeitura de Vitória o novo Galpão das Paneleiras

Marcos Salles
Prefeito João Coser inaugura o galpão das paneleiras
As paneleiras receberam também o título de Indicação Geográfica (IG), reconhecido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI)


Uma noite de festa e confraternização. A comunidade de Goiabeiras e suas artesãs receberam da Prefeitura de Vitória o novo Galpão das Paneleiras. O fazer secular da panela de barro, patrimônio histórico imaterial do país, ganha um espaço privilegiado, que dignifica o trabalho de diversas famílias e propicia qualidade no atendimento a turistas e compradores do artesanato.

Na solenidade de inauguração, estavam presentes o vice-governador do Estado, Givaldo Vieira, o prefeito João Coser, acompanhado de sua equipe de secretariado, e mais diversas autoridades. Representantes do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) e da Caixa Econômica Federal também estiveram presentes.

A superintendente estadual do Iphan, Diva Maria Figueiredo, fez questão de esclarecer a todos que a modernidade do galpão entregue às paneleiras, com 32 cabines, todas com bancada, armário e prateleiras individuais num espaço arejado e bem iluminado naturalmente, em nada interfere ou prejudica o trabalho feito por elas.

Afinal, o que está registrado no Livro do Conhecimento – Ofício Paneleiras como parte do Patrimônio Cultural do Brasil é o fazer artesanal da panela de barro, que remonta há mais de 400 anos e é uma herança indígena.

As paneleiras receberam também o título de Indicação Geográfica (IG), reconhecido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). É o primeiro projeto de identificação geográfica entregue no Espírito Santo. E as paneleiras foram agraciadas com esse título porque o trabalho que desenvolvem tem raízes na localidade, o produto tem utilidade, arte e cultura.

Marcos Salles
Prefeito João Coser inaugura o galpão das paneleiras
O prefeito João Coser destacou, durante a visita, a importância de valorizar as paneleiras enquanto detentoras de um saber, um fazer artístico

Marcos Salles
Prefeito João Coser inaugura o galpão das paneleiras
O galpão entregue às paneleiras conta com 32 cabines, todas com bancada, armário e prateleiras individuais num espaço arejado e bem iluminado

Compromisso com a tradição

O secretário municipal de Cultura, Alcione Pinheiro, enalteceu a entrega de uma obra que, segundo ele, dignifica ainda mais a cultura popular da cidade. “Cuidar de nossas tradições tem sido uma de nossas metas. E quero lembrar a todos que, hoje, somos aqui peças de uma história que vem sendo construída há séculos. Entregar esse novo galpão é um privilégio para nós, uma realização de um sonho para essas pessoas de extraordinário valor e toda a comunidade de Goiabeiras”.

A presidente da Associação das Paneleiras de Goiabeiras (AGP), Berenícia Correia do Nascimento, agradeceu, emocionada, ao empenho de todos os envolvidos para que aquele espaço fosse construído e entregue a elas. “Estamos vivendo um novo momento a partir dessa conquista, com esse galpão tão bonito que está sendo entregue a nós. É uma felicidade muito grande”, ressaltou.

O vice-governador do Estado, Givaldo Vieira, destacou o significado de entregar o novo galpão das paneleiras para a cidade. “Estando aqui, eu sinto a alegria do povo de Vitória e da comunidade ao receber essa obra, fruto do protagonismo do prefeito João Coser. Um espaço que oferece melhores condições de trabalho às paneleiras e se preocupa também com o atendimento ao turista e demais pessoas que vêm até aqui em busca da panela de barro”, destacou.

Em sua fala, o prefeito João Coser fez questão de frisar que os méritos da obra do novo galpão eram muito mais da comunidade. “Devolvendo à cidade o direito ao debate por meio das conversas, do orçamento participativo, foram vocês quem escolheram como prioridade este galpão. Hoje, nós estamos aqui dando um retorno a vocês, aos impostos que vocês pagam com este serviço”.

O prefeito falou ainda sobre a importância de valorizar as paneleiras enquanto detentoras de um saber, um fazer artístico, e mantenedoras de uma das maiores tradições da cultura capixaba. “Vocês são nosso orgulho e orgulho nacional”, disse.

Marcos Salles
Prefeito João Coser discursando na inauguração do galpão das paneleiras
Em sua fala, o prefeito João Coser fez questão de frisar que os méritos da obra do novo galpão eram da comunidade

Vitor Nogueira
Paneleira
O fazer artesanal da panela de barro remonta há mais de 400 anos e é uma herança indígena

Com edição de Deyvison Longui





sábado, 19 de novembro de 2011

Paneleiras de Goiabeiras

Panela de barro: 400 anos de tradição

Vitor Nogueira
Mãos moldam panela de barro
A produção artesanal de panela de barro é uma das maiores expressões da cultura popular de Vitória e do Espírito Santo. A técnica na produção, assim como a estrutura social das artesãs, pouco mudou em mais de 400 anos, desde quando era produzida nas tribos indígenas.

Nos últimos séculos esse trabalho sempre garantiu a sobrevivência econômica de famílias. As artesãs estão vinculadas à Associação das Paneleiras. As autênticas Moqueca Capixaba e Torta Capixaba, dois pratos típicos regionais, somente são servidos nas panelas de barro por tradição.
Para fazer as panelas, as artesãs retiram a argila do Vale do Mulembá, local situado no bairro Joana D'Arc, na Ilha de Vitória. Do manguezal que margeia a região de Goiabeiras é extraída a casca da Rhysophora mangle, popularmente chamada de mangue vermelho. Essa casca permite extrair a tintura impermeabilizante de tanino, com a qual são pintadas de negro as panelas, quando quentes.

Patrimônio Cultural Brasileiro

A arte de confeccionar as panelas de barro foi herdada das culturas tupi-guarani e transmitida por várias gerações. Desde 2002 o ofício de fazer panelas de barro é reconhecido nacionalmente como um Bem Cultural de Natureza Imaterial e titulado como Patrimônio Cultural Brasileiro.
A inclusão das paneleiras como Patrimônio Cultural Brasileiro foi uma iniciativa do Ministério da Cultura e do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A medida se tornou possível por intermédio do Decreto Federal 3.551/2000, que instituiu o registro de bens culturais de natureza imaterial.

Trabalho manual

A modelagem das panelas é feita manualmente. A parede da panela é levantada por meio do uso de roletes ou escavada na "bola" de argila, quando é "puxada". Para isso são utilizados os movimentos das mãos, tanto circulares como verticais, abaulando, arredondando, definindo o formato da peça com a ajuda de ferramentas rudimentares, como pedras lisas, cascas de coco, coité (pedaço de cabaça) e objetos similares. É o mesmo procedimento utilizado pelos povos indígenas que habitaram Vitória há mais de 400 anos.

A característica mais marcante das panelas é a coloração escura. Isto é obtido por meio da impregnação do tanino na peça. A casca é retirada do tronco por meio de golpes de um porrete de madeira. As lascas da Rhysophora mangle, o mangue vermelho, são picadas e colocadas de molho em água doce, para curtir dessa forma em um máximo de três dias.
Vitor Nogueira
Panelas de barro sendo queimadas


Consciência ecológica

Ao contrário do que se possa supor, essa prática não é predatória, porque foi disseminada a consciência de preservação por parte dos "casqueiros". Dessa forma, somente é retirada a casca de um dos lados do tronco, em pouca quantidade. O procedimento não prejudica a árvore, nem o ecossistema do manguezal.

A aplicação do tanino nas panelas é feita da seguinte forma: com uma vassorinha embebida em tanino, bate-se, vigorosamente, na peça ainda quente, imediatamente após sua retirada do fogo. Esse processo de impregnação é conhecido como "açoite". Como resultado, o tanino penetra nos poros da cerâmica, cobrindo fissuras e tornando-a impermeável, servindo também para impedir a proliferação de fungos, que, com o correr do tempo, esfarelam o barro.

Com a coloração escura da panela é possível obter uma melhor concentração do calor, facilitando, dessa forma, o cozimento e a conservação dos alimentos. As panelas, depois de modeladas, ficam em lugar ventilado e protegido do sol até secarem completamente. Só depois é efetuada a queima, não em forno, mas em fogueiras a céu aberto - método bastante primitivo adotado por tribos indígenas.

O processo consiste em empilhar as panelas sobre grossas toras de madeiras, formando o que se chamam de "cama", para permitir, desse modo, a circulação do ar pela parte inferior. Nas laterais e em cima, são colocados pedaços menores de madeira. O fogo é ateado em uma das extremidades, na "cabeceira da cama", e, com a ajuda da ventilação natural, expande-se por todo o conjunto. Dependendo do número de peças, o cozimento pode durar várias horas.

A queima também é feita dentro de um procedimento ecologicamente correto, já que não há desmatamento de árvores da região. Para fazer o fogo são utilizados restos de madeiras, principalmente da construção civil. Apesar desse tipo de madeira nem sempre possuir o melhor poder calorífico, o resultado final é satisfatório desde que o calor produzido seja intenso, uniforme e dure o tempo necessário.
 Fonte: http://www.vitoria.es.gov.br/turismo.php?pagina=paneladebarro


Raiz da cultura popular do Espírito Santo, a legítima panela de barro Capixaba é identificada por um selo de qualidade da Associação das Paneleiras de Goiabeiras. As Paneleiras de Goiabeiras, assim chamadas por ser a maioria das artesãs mulheres, residem no bairro de Goiabeiras, em Vitória, capital do Estado do Espírito Santo. Com competência confeccionam, em barro, panelas, potes, travessas, bules, caldeirões, frigideiras etc, de diversas formas e tamanhos.
O ensinamento, transmitido de pais para filhos, permite que a identidade cultural desta atividade seja mantida com muito poucas alterações, há várias gerações. São avós, mães, filhas e netas exercendo o mesmo ofício. Anteriormente, as Paneleiras trabalhavam individualmente em suas próprias casas. Atualmente, mais organizadas, estão agrupadas na Associação das Paneleiras de Goiabeiras, uma espécie de cooperativa. Trata-se de um galpão onde cada uma, independentemente, produz e comercializa suas próprias peças. Sob o aspecto econômico, a renda que auferem, é significativa no contexto da manutenção de suas famílias. A Associação já se tornou um dos pontos turísticos da cidade, sendo visitada, regularmente, por turistas interessados em adquirir as peças e ver como as mesmas são confeccionadas.

Fonte: http://www.ceramicanorio.com/artepopular/paneleirasgoiabeiras/paneleiras.htm



 Eu já fui:

"Panela de barro, raiz da cultura capixaba" estava ansiosa para conhecer o galpão das paneleiras, ao chegar no local confesso que fiquei decepcionada:

1- Falta de sinalização de um ponto turístico tão importante;
2- Situação de improviso do galpão;


                                                                    Foto: Arquivo pessoal

Atualmente as paneleiras estão em um local provisório; saíram do galpão oficial da associação para a prefeitura realizar a reforma, mas parece que há tempos essa entrega é adiada, encontrei o histórico da espera das artesãs:
E a Prefeitura havia prometido reformar em 6 meses:
Haaa... se eu fosse secretária de cultura ou de turismo!!!!!!! Não iria deixar a situação continuar assim:

                                                                    Foto: Érika Mezabarba 

Bom... o local não condiz com a importância das paneleiras para a cultura capixaba, mas a simpatia delas e a vontade de transformar a argila em panela é algo precioso! Elas permitem serem fotografadas, afinal já estão habituadas à trabalhar sob flashs, pois o espaço está sempre cheio de turistas.

E não têm feriado, não tem final de semana... nada de descanso... sempre tem paneleira com a mão na massa lá na associação!

                                                                 Foto: Érika Mezabarba

                                                               Foto: Érika Mezabarba 



Foto: Arquivo pessoal 
                                                            Foto: Érika Mezabarba

Durante a visita você pode assistir a fabricação das panelas, conversar com as paneleiras (super simpáticas), tirar fotos e comprar a famosa panela!!! rs Você encontra muitas opções de panelas de barro, o preço é justo, compramos uma grande por R$30,00, vi umas pequenininhas de colocar molho (uma graça).

Espero que em breve o galpão novo seja entregue, as paneleiras lutam por mais apoio e melhores condições de trabalho e elas merecem! Torço para que essas mulheres guerreiras  façam muito sucesso pelo mundo inteiro!

Indico esse vídeo com a reportagem sobre as paneleiras, feita por minha querida amiga Raquel:
http://www.youtube.com/user/Carlosafotoplay#p/u/202/n-HfjhGqKKU


Acesso:
Rua das Paneleiras 55 (próximo a faculdade UNIVIX)
Goiabeiras
Vitória-ES